24/02/2014

Lanche/debate, dia 22 de Março

[clicar sobre a imagem para ampliar]


Sobre a tese do prof. Pascal Paulus:
Título: Uma outra forma de fazer escola:a Voz do Operário da Ajuda
Autor: Paulus, Pascal, 1957-
Orientador: Canário, Rui, 1948-
Palavras-chave: Relações sociais, Escolarização, Sociologia da educação
Teses de doutoramento - 2013
Data: 2013

20/02/2014

As funções da avaliação. Avaliar não é classificar, é construir um caminho.

[O Miguel Costa enviou-nos mais uma contribuição para o blogue da Associação de Pais, que naturalmente agradecemos. A todos os restantes pais e encarregados de educação fica o convite para que escrevam ou sugiram textos, imagens ou vídeos.]


As funções da avaliação. Avaliar não é classificar, é construir um caminho.

“mudar a avaliação significa mudar a escola”
Perrenoud, 1992

Independentemente da corrente pedagógica seguida a avaliação é um elemento chave das escolas e dos sistemas educativos. Para se conhecer é necessário avaliar, e avaliar significa medir, quantificar quer em termos absolutos quer em termos relativos, um ou mais elementos desse sistema.

No ensino tradicional a avaliação dos alunos é traduzida em testes e exames, que se resumem a um número e a média dos resultados obtidos ao longo do ano constituem a classificação dos alunos. No final do ano o aluno é classificado de acordo com os resultados que obteve nos testes: “é um aluno de 3, ou de 4 ou de…” é o número e esse número vale pela posição que ocupa na escala de resultados obtidos no universo dos seus colegas, da sua escola. A avaliação serve para muita coisa e uma delas, muitas vezes a primeira, é a classificação dos alunos. É fácil por números numa folha de cálculo, mas é difícil fazer o mesmo com pessoas…

Outro aspecto da avaliação através de testes e exames é que permite avaliar o que é importante e o que é acessório. Se não sai no teste, nem vale a pena dedicar atenção ao assunto. A avaliação na forma de objectivos e metas constitui um programa sobre o programa. Determina o conhecimento válido e a forma válida de o apresentar. O teste inclui ou exclui determinada matéria, a “grelha de correcção” determina o valor da resposta, definindo critérios para a valorização das formas de resposta aceites.

Por fim a avaliação no modelo tradicional constitui a razão de ser do ensino, da escola e da turma. Ao aceitar que o aluno vale pelas classificações que obtém numa prova que avalia o que aprendeu e que aprender é a razão pela qual está a escola, escola trabalha para que o aluno obtenha sucesso nessa prova. Conhecida a classificação, conhece-se verdadeiramente o aluno.

A avaliação na perspectiva do MEM é no entanto diferente. A avaliação não é um momento não é o culminar de um processo de aprendizagem nem tem como objectivo principal classificar um aluno.

A avaliação é um elemento intrínseco ao processo de aprendizagem num contexto cooperativo, pois serve como mecanismo de tomada de consciência, individual e grupal do percurso realizado e ferramenta de decisão, individual e grupal, face ao percurso a seguir. O seu aspecto contínuo torna-a muito mais útil como ponto partida do que de chegada e a sua dimensão colectiva torna-a formadora (e não formativa).

Encarar a avaliação como uma das dimensões da aprendizagem implica não apenas dar a conhecer os objectivos mas sobretudo fornecer os instrumentos necessários a essa tarefa. O envolvimento dos alunos passa pela participação na determinação de objectivos e pela hetero e auto-avaliação. A avaliação enquanto actividade reflexiva e colectiva choca com percursos pré-determinados e desvaloriza o tipo de classificação procurada no sistema tradicional. Ao construírem colectivamente e em cooperação os seus percursos, os agentes do processo de aprendizagem possuem plena consciência que não são um número obtido numa prova ou exame.

Ao estabelecerem os seus objectivos e discutirem as suas avaliações (como acontece no conselho) tomam consciência que cada um deles, os seus percursos, as suas áreas de preferência e as suas dificuldades não podem ser reduzidos a simples dígitos.

Por mais que os queiram sujeitar a exames, os alunos do MEM não cabem em folhas de cálculo. A mera avaliação externa, que lhes é alheia e resumida à sujeição a um inquérito escrito na forma de uma dezena de perguntas nunca lhes trará mais informação que o trabalho (e que trabalho!) que realizam diária e semanalmente ao longo do ano.

Os alunos do MEM têm consciência do seu valor, porque aprenderam a decidir os seus objectivos e reflectiram sobre os seus progressos… e isso é assustador para quem possua uma visão contabilística da educação, em que os alunos cabem numa quadricula de uma qualquer tabela de dupla entrada.

13/02/2014

Parabéns!

Hoje a Voz do Operário faz 131 anos de existência.
Parabéns aos seus associados, trabalhadores, alunos, dirigentes e amigos.


No dia 22 há jantar comemorativo. Mais informações aqui.

01/02/2014

A Educação na Escola da Voz do Operário

O Miguel Costa escreveu para a edição Dezembro/Janeiro da Newsletter da Associação de Pais um texto relativo à sua visão sobre "A Educação na Escola da Voz do Operário". O texto é extenso, embora seja apenas uma parte relativamente pequena da reflexão do Miguel sobre o tema.

Para os mais interessados fica a sua publicação na íntegra.

Ao Miguel o nosso muito obrigado!

A Educação na Escola da Voz do Operário

A escolarização é genericamente aceite como uma realidade natural, positiva e necessária para o indivíduo e condição necessária para o desenvolvimento da sociedade em que se insere. O estudo da história da escola enquanto instituição revela que esta não é uma verdade linear. Os trabalhos académicos e ensaios são inúmeros e por vezes divergentes, mas na sua globalidade revelam que a instituição escolar surge e cresce como resposta às necessidades económicas da sociedade e em particular na qualificação da mão-de-obra requerida pelas estruturas e mecanismos capitalistas e constitui acima de tudo uma forma de reprodução e controlo sociais.